Educação é trabalho conjunto entre família e escola
Sabemos que o conhecimento pode ser aprendido e experimentado de diferentes maneiras, tanto a partir de uma base teórica quanto a partir de uma experiência empírica, ou seja, prática e vivencial. Estas duas formas de conhecimento complementam-se e com isso enriquecem o nosso repertório cognitivo.
Porém, seria muito útil que pudéssemos aprender mais sobre nós mesmos, antes da tentativa de ensinar, transmitindo conhecimento e proporcionando caminhos para o aprendizado dos nossos filhos e alunos. Evitando assim a repetição involuntária daquilo que também já repetimos de maneira automática. Esta reprodução automática de atos, posturas e conceitos, embora nem sempre eduque, contribui para a formação do esquema psicológico da criança, da mesma maneira que formou o nosso. Isso implica dizer que é desse banco de “conhecimentos” que extraímos tudo aquilo que usamos na construção da nossa personalidade, influenciando em aspectos como a escolha de uma profissão, mesmo aquelas que não condizem com a vocação do indivíduo.
Talvez a questão principal deste debate esteja centrada em como podemos perceber a nossa relação com a transmissão dessas informações tão importantes para a formação humana dos nossos filhos e alunos. Essa percepção pode ser iniciada com mais lucidez, por exemplo, quando examinamos os nossos medos.
Embora os nossos medos sejam algo que existe apenas em nossas mentes, possuem a capacidade de direcionar e condicionar as nossas maneiras de agir, consequentemente interferem na forma como educamos as crianças. Essa relação com o medo é algo interessante à nossa existência, porque mesmo em meio a tantos avanços tecnológicos, ainda não conseguimos romper ou lidar de maneira mais conveniente com este sentimento.
Somos herdeiros de tradições milenares e também de medos milenares que se sustentam e perpassam os séculos, sendo transmitidos e adaptados ao longo das gerações. Embora sejamos relativamente novos, quanto indivíduos na terra, os nossos dilemas são antigos e se iniciaram com a história da humanidade. Se nos compararmos com os nossos ancestrais, perceberemos que embora mais cultos e esclarecidos, ainda somos tão reféns dos nossos quadros emocionais quanto eles. Isso resulta justamente nos comportamentos padrão aos quais nos acostumamos e propagamos de maneira consciente ou inconscientemente.
Neste sentido, podemos analisar a relação entre família, escola e educação. É na família onde somos educados pela primeira vez. Quando negligenciamos este papel, damos carta branca para que o mundo exterior ao núcleo familiar se encarregue disso, condicionando as nossas crianças a uma educação deficitária. Por isso a importância da união entre escola e família, em uma relação de cooperação para a formação de cidadãos, sobretudo mais humanos e comprometidos com o bem comum, indo além da produção ou reprodução do conhecimento de maneira mecanizada.
Quando buscamos o equilíbrio das emoções e o entendimento delas, reajustamos a maneira pela qual educamos e com isso melhoramos este processo.

